Com a crescente popularidade das criptomoedas e dos ativos digitais, os reguladores bancários globais começaram a reconsiderar as suas abordagens à regulamentação deste setor em rápido desenvolvimento. O Comité de Basileia para a Supervisão Bancária, responsável pelo estabelecimento de normas internacionais para os bancos, iniciou uma revisão da sua estrutura regulatória para as criptomoedas após críticas de vários reguladores globais.
Alteração da Ponderação do Risco
A ponderação de risco anteriormente estabelecida em 1250%, que equiparava as criptomoedas aos ativos de maior risco, revelou-se excessivamente rigorosa. Esta abordagem tornou o trabalho com ativos digitais pouco rentável para as instituições bancárias, distorcendo, assim, as condições de concorrência entre países. Reguladores como a Reserva Federal (Fed) dos EUA salientam que o atual modelo regulatório não tem em conta o verdadeiro perfil de risco dos vários tipos de criptoativos.
No Reino Unido, por sua vez, não existem planos para implementar as normas de Basileia na sua forma original. A União Europeia optou por um processo de implementação seletiva, a partir de 2022, dado que algumas disposições foram consideradas redundantes e incoerentes com a realidade atual. A União Europeia optou por um processo de implementação seletiva, a partir de 2022, uma vez que algumas disposições foram consideradas redundantes e incoerentes com a realidade atual.
Stablecoins e o seu impacto no mercado
Um dos temas mais discutidos no âmbito da regulamentação das criptomoedas são as stablecoins. Nos últimos anos, o número de utilizadores ativos deste instrumento tem crescido significativamente, e as stablecoins tornaram-se rapidamente uma ferramenta importante para os pagamentos digitais. O crescimento do volume de transações demonstrou que as antigas abordagens regulatórias são incompatíveis com os avanços tecnológicos atuais.
O próprio Comité de Basileia ainda está dividido sobre a regulamentação das stablecoins. Alguns representantes insistem na necessidade de medidas rigorosas para proteger a estabilidade financeira, enquanto outros acreditam que tais medidas podem dificultar a inovação no sector bancário.
O caso do Liechtenstein
No meio das alterações globais, o Liechtenstein concluiu a implementação da regulamentação europeia MiCA (Mercados de Criptoativos), apesar de não ser membro da UE. Um dos primeiros participantes licenciados foi a Ondo Global Markets, que recebeu permissão para emitir ações tokenizadas na Europa.
A autoridade reguladora local, a FMA (Liechtenstein Financial Markets Authority), exigiu que todos os fornecedores de serviços de criptomoedas obtenham uma licença MiCA até ao final de 2025. Isto deverá aumentar a segurança jurídica e a confiança dos consumidores nos instrumentos financeiros tokenizados.
Em conclusão
Assim, os reguladores bancários globais reconhecem a necessidade de adaptar as suas abordagens à regulamentação das criptomoedas num mercado em rápida transformação. A revisão da avaliação de risco e o foco nas stablecoins demonstram que os reguladores procuram um equilíbrio entre a proteção da estabilidade financeira e o apoio à inovação. É importante que as novas regulamentações promovam o desenvolvimento do setor das criptomoedas, garantindo, ao mesmo tempo, a segurança e a confiança dos utilizadores.