Tempestade geopolítica: por que o Bitcoin começou a semana em queda
O Bitcoin e todo o mercado de ativos digitais estão sob forte pressão devido à escalada acentuada nas relações entre os EUA e o Irão. No início das negociações de segunda-feira, a cotação do BTC caiu para 66.702 dólares, perdendo 1,1% nas últimas 24 horas. O motivo principal é a reação dos mercados tradicionais, que começaram a precificar os riscos militares assim que as sessões foram retomadas.
Enquanto as criptomoedas foram negociadas num vácuo relativo durante o fim de semana, o sentimento negativo acumulado manifestou-se na segunda-feira. A situação das altcoins parece ainda mais preocupante:
Dinâmica de preços das principais altcoins:
— Rao Cash (RAO): aumento de valor de 25% na última semana para 0,000003968 $.
— Ethereum (ETH): queda de 2,5% para 1.967
— Solana (SOL): queda de 4,1% para 84 dólares (as perdas semanais totalizaram 8,1%).
— XRP: queda de 3,6% para 1,36 $.
O fator petróleo e a ameaça à logística global
O principal gatilho para a venda de ativos de risco foi um aumento sem precedentes nos preços da energia. O petróleo Brent saltou 13% na abertura, estabilizando-se mais tarde perto dos 77,50 $ (+6,4%). Este é o maior aumento de curto prazo desde fevereiro de 2022.
O encerramento efetivo do Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do fornecimento mundial de petróleo, colocou a economia global em risco de escassez. A reação dos mercados foi imediata:
1. Os índices bolsistas asiáticos caíram 1,4%.
2. Os futuros de ações dos EUA perderam 0,7%.
3. O ouro, como ativo de refúgio, subiu para 5.350 $ por onça.
A armadilha da inflação: por que os criptoinvestidores temem o petróleo caro
Para o setor das criptomoedas, o perigo principal não reside nas ações militares em si, mas no seu impacto sobre a inflação. Preços elevados do petróleo levam inevitavelmente ao aumento dos preços no consumidor. Isto obriga a Reserva Federal dos EUA (Fed) a adiar os tão esperados cortes nas taxas de juro.
Uma política monetária restritiva significa menor liquidez, o que afeta sempre os ativos de alto risco como o Bitcoin. Enquanto as expectativas de inflação subirem, os investidores institucionais preferem manter numerário ou instrumentos defensivos.
Incerteza diplomática: Irão e EUA
A situação é complicada pelo caos informativo. Segundo o The Wall Street Journal, há novas tentativas de retomar as negociações nucleares; no entanto, o chefe da segurança nacional do Irão, Ali Larijani, negou tal possibilidade.
Sinais contraditórios também chegam de Washington. Apesar da retórica dura de Donald Trump sobre a continuação dos ataques, alguns meios de comunicação, incluindo o The Atlantic, relatam a sua disponibilidade para negociar com a nova liderança iraniana.
Há esperança de uma recuperação?
Apesar do cenário sombrio, alguns traders de criptomoedas mantêm um certo otimismo cauteloso. Existe a opinião de que a correção atual já absorveu a maior parte do choque geopolítico. Se a escalada no Estreito de Ormuz não se transformar num conflito global prolongado, o mercado poderá encontrar um "fundo" perto dos níveis atuais.
No entanto, a curto prazo, as criptomoedas continuam reféns das manchetes das notícias e da dinâmica dos preços do petróleo. Recomenda-se cautela aos investidores, pois espera-se que a volatilidade permaneça extrema nos próximos dias.