O mercado das criptomoedas consolidou-se como uma ferramenta fundamental nos confrontos geopolíticos. Segundo dados recentes da gigante de análise Chainalysis, até 2025, a utilização de ativos digitais para contornar restrições internacionais atingirá proporções industriais. O Irão e a Rússia, que criaram um sistema financeiro alternativo completo, emergiram como líderes neste sector "clandestino".
Manobras do Irão: Mil milhões sob o manto do blockchain
Os analistas estão particularmente atentos às atividades da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). De acordo com os dados documentados, a agência transferiu mais de 2 mil milhões de dólares através de protocolos criptográficos. Estes fundos foram utilizados para contornar barreiras comerciais e financiar operações cibernéticas.
Os especialistas da Chainalysis sublinham que os valores identificados representam apenas a ponta do icebergue. A estimativa de 2 mil milhões de dólares baseia-se apenas em carteiras já incluídas nas listas de sanções dos EUA. O volume real de transações através de intermediários e grupos anónimos pode ser várias vezes superior. As criptomoedas tornaram-se a força vital de organizações como o Hezbollah e o Hamas, permitindo-lhes movimentar capital instantaneamente através das fronteiras.
Recorde Russo: Stablecoins como Ferramenta para a Nova Economia
Apesar da atividade no Médio Oriente, a Rússia assumiu a liderança global no volume de transações ilegais (do ponto de vista dos reguladores ocidentais) em blockchain. O principal catalisador deste crescimento foi o lançamento da stablecoin estatal A7A5, fortemente ligada à taxa de câmbio do rublo.
A integração deste ativo em liquidações internacionais levou a um aumento explosivo da atividade:
- O volume total de transações utilizando o A7A5 atingiu a impressionante marca de 93 mil milhões de dólares.
- A actividade das entidades jurídicas sob sanções aumentou quase sete vezes.
- O blockchain tornou-se a principal rota para transações de importação e exportação que contornam o sistema SWIFT.
2025: Crescimento Recorde do Mercado Paralelo de Criptomoedas
O ano passado testemunhou um aumento sem precedentes da atividade criminosa no ambiente digital. O volume total de transações ilegais aumentou 162%, atingindo a cifra astronómica de 154 mil milhões de dólares.

Embora os pequenos burlões e as plataformas da darknet fossem anteriormente a principal fonte de dinheiro "sujo", o cenário mudou em 2026. Agora, os atores estatais e as grandes estruturas paramilitares são o fator dominante, utilizando finanças descentralizadas (DeFi) para movimentar capital a nível global.
Vestígios da Coreia do Norte e a Evolução das Ameaças Cibernéticas
A Coreia do Norte também está envolvida. Grupos de hackers controlados por Pyongyang realizaram os ataques mais devastadores da história registada em 2025. O prejuízo total causado pelas suas atividades está estimado em 2 mil milhões de dólares.
Mudanças-chave nas táticas da Coreia do Norte:
1. Aumento da complexidade da mistura: A utilização de pontes descentralizadas para ocultar rastos tornou-se praticamente irrepreensível.
2. Alvo nas instituições: Em vez das carteiras privadas, os principais protocolos de liquidez tornaram-se o alvo.
3. Legalização através da mineração: Parte dos fundos roubados é "lavada" através de investimentos na mineração de novos blocos.
Resultados e Previsões
A situação no início de 2026 mostra que a pressão das sanções provocou uma forte resposta tecnológica. A divisão da blockchain global em "transparente" (regulada pelo Ocidente) e "soberana" (utilizada pelos países sancionados) está a tornar-se um facto consumado. Para os investidores e utilizadores comuns, isto significa apenas uma coisa: as questões de segurança e verificação de ativos (AML) estão a tornar-se uma prioridade.