O sistema fiscal da Índia enfrenta um sério desafio. O Departamento de Impostos sobre o Rendimento (ITD) do país manifestou oficialmente preocupação com a transparência do setor das criptomoedas. Apesar das rigorosas leis fiscais, o departamento reconhece que uma parte significativa da riqueza digital escapa ao escrutínio governamental.
Anonimato como Barreira ao Controlo
A própria natureza da tecnologia blockchain continua a ser o principal problema para as autoridades fiscais indianas. Os representantes do ITD afirmam que o anonimato das transações e a utilização de carteiras privadas (armazenamento não custodial) criam "pontos cegos" na declaração fiscal.
Segundo as autoridades fiscais, três fatores principais complicam a situação:
1. Finanças Descentralizadas (DeFi): As plataformas que operam sem intermediários permitem que as transações sejam feitas sem a necessidade de procedimentos KYC (conhecimento e identificação).
2. Transferências internacionais: A capacidade de enviar ativos instantaneamente para outra jurisdição torna os métodos tradicionais de monitorização financeira ineficazes.
3. Sem intermediários: Ao contrário do setor bancário, não existe um "centro" regulamentado que possa fornecer dados de rendimentos de clientes mediante pedido.
Câmaras de câmbio estrangeiras fora de alcance
O departamento está particularmente preocupado com as corretoras internacionais que não estão oficialmente registadas na Índia. Uma vez que estas plataformas operam fora da estrutura jurídica indiana, a identificação dos titulares das contas é praticamente impossível.
Mesmo com acordos internacionais de troca de informação, o processo de obtenção de dados continua a ser extremamente lento e burocrático. Na prática, isto significa que os traders podem ocultar os seus lucros durante anos, simplesmente transferindo as negociações para corretoras estrangeiras ou descentralizadas.
Carga fiscal: um incentivo para fugir aos impostos?
Muitos especialistas atribuem as dificuldades de monitorização à atual política fiscal da Índia, considerada uma das mais rigorosas do mundo. No início de 2026, o país mantinha as seguintes regras:
30% de imposto fixo sobre qualquer lucro obtido com a venda de ativos digitais (sem possibilidade de dedução de prejuízos).
1% de TDS (imposto retido na fonte) sobre cada transação, independentemente de ter sido rentável ou não.
Esta pressão obriga os utilizadores a procurar formas de contornar as corretoras reguladas localmente, o que, em última análise, complica ainda mais o trabalho da Receita Federal.
A Índia continua a ser uma das moedas dos gigantes das criptomoedas
Apesar das complexidades regulamentares e das queixas das autoridades fiscais, o mercado indiano continua a ser um dos mais promissores do mundo, graças à sua vasta população com conhecimentos tecnológicos.
Os grandes players globais continuam a competir pelo controlo da região. A corretora americana Coinbase já retomou o registo de utilizadores indianos, procurando ganhar quota de mercado após um longo hiato. Representantes da Kraken e de outras plataformas internacionais também manifestaram o desejo de operar legalmente e obter licenças.
Em Conclusão
O impasse entre as autoridades fiscais indianas e a comunidade cripto está a atingir um novo patamar. Enquanto o Departamento Fiscal da Índia (ITD) se queixa da complexidade tecnológica da monitorização, o mercado continua a evoluir. Claramente, simples proibições ou taxas elevadas não resolverão o problema — a agência terá de implementar ferramentas de análise de blockchain mais avançadas ou rever a sua política fiscal para a tornar mais flexível e, assim, melhorar a cobrança.